O desamparo aprendido é o estado de desistir, ou nem sequer tentar, porque a experiência passada ensinou que suas ações não mudam o resultado. O termo vem de uma famosa linha de pesquisa na qual animais que recebiam choques repetidos e inevitáveis acabavam parando de tentar escapar, mesmo quando a fuga se tornava possível. As pessoas podem desenvolver o mesmo padrão após fracassos repetidos, críticas ou situações em que nada do que faziam parecia ajudar, e o padrão pode persistir muito depois de a situação original ter mudado.
O que é o desamparo aprendido?
O desamparo aprendido se desenvolve quando alguém vivencia repetidamente uma situação estressante ou dolorosa sem conseguir controlá-la ou escapar dela, e acaba desistindo de tentar mudar as coisas, mesmo quando novas opções surgem. Um fator determinante é o estilo explicativo, a forma habitual como a pessoa explica os contratempos para si mesma: quem é propenso ao desamparo aprendido tende a ver os problemas como permanentes, generalizados e pessoais, um padrão que os pesquisadores chamam de «3 Ps», o que faz com que desistir pareça lógico mesmo quando o esforço poderia realmente fazer diferença.
Sinais de que você pode estar vivenciando isso
- Desistir antes de tentar. Presumir que uma tarefa vai fracassar e não tentá-la, ou abandoná-la ao primeiro sinal de dificuldade.
- Passividade diante de problemas solucionáveis. Tolerar uma situação ruim, como um emprego ou relacionamento difícil, porque parece inútil tentar mudá-la.
- Um estilo explicativo generalizado, pessoal e permanente. Acreditar que os contratempos são imutáveis, afetam tudo e são culpa sua.
- Baixa motivação e humor apagado. Sentir-se esgotado(a) ou indiferente em relação a metas que antes importavam, mesmo as que ainda são alcançáveis.
- Evitar novos desafios. Evitar situações desconhecidas para não correr o risco de outro fracasso incontrolável.
Por que isso importa para o bem-estar
O desamparo aprendido está intimamente ligado à depressão, à ansiedade e ao estresse crônico; a crença de que nada do que se faz importa remove a motivação para buscar ajuda, resolver problemas ou defender a si mesmo(a). Ele pode manter as pessoas presas a situações que na verdade têm algum poder de mudar, de um emprego insatisfatório a um relacionamento pouco saudável, porque o esforço de tentar parece inútil antes mesmo de começar. Com o tempo, essa passividade também pode afetar a saúde física, já que pessoas que se sentem desamparadas têm menos probabilidade de manter tratamentos médicos, exercícios ou cuidados preventivos que exigem esforço contínuo.
Quebrando o padrão
A descoberta encorajadora por trás de décadas de pesquisa é que o desamparo aprendido é, precisamente, aprendido, o que significa que pode ser desaprendido. O trabalho central envolve mudar o estilo explicativo: questionar ativamente se um contratempo é realmente permanente, generalizado e pessoal, ou se na verdade é temporário, específico e ligado às circunstâncias em vez de a uma falha fixa. Pequenas vitórias alcançáveis são especialmente poderosas aqui, porque cada uma fornece evidência direta de que suas ações realmente produzem resultados, exatamente a crença que o desamparo aprendido corrói. Isso costuma ser chamado de «otimismo aprendido», e pode ser construído deliberadamente com prática, mesmo por pessoas para quem isso não vem naturalmente.
Formas cotidianas de recuperar o senso de agência
- Comece menor do que parece necessário. Escolha uma meta tão alcançável que o sucesso seja quase garantido, e construa a partir daí quando perceber que o esforço funciona.
- Questione os «3 Ps». Quando surgir um contratempo, escreva uma explicação mais precisa, menos permanente e menos pessoal para ele.
- Registre evidências do seu impacto. Mantenha um registro simples de momentos em que suas ações mudaram um resultado, para contrapor a crença de que nada do que você faz importa.
- Separe o que você pode e não pode controlar. Direcione sua energia para as partes de uma situação que realmente estão sob sua influência.
- Peça apoio em vez de enfrentar sozinho(a). Um(a) terapeuta, coach ou amigo(a) de confiança pode ajudá-lo(a) a identificar chances de agir que o desamparo tornou invisíveis para você.
Onde encontrar mais informações
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