Se você se autolesiona, saiba que não está sozinho, e não está quebrado. Para a maioria das pessoas, a autolesão (cortar-se, queimar-se, bater em si mesmo, ou outras formas de machucar o próprio corpo) é uma forma de lidar com sentimentos que parecem grandes demais, rápidos demais, ou dormentes demais para lidar de outra maneira: angústia avassaladora, raiva voltada para dentro, ou uma necessidade de sentir algo, ou de sentir controle sobre algo, quando tudo mais parece fora de controle. Não é automaticamente a mesma coisa que uma tentativa de suicídio, e ter se autolesionado não significa que há algo de errado com você como pessoa. Significa, sim, que você merece apoio real, não vergonha, e não um momento sequer desse apoio negado. Esta página não vai descrever métodos específicos de autolesão; isso é proposital, já que descrições detalhadas podem acabar tornando as coisas mais difíceis, em vez de mais fáceis, para alguns leitores. O que ela oferece, em vez disso, é o que costuma realmente ajudar, tanto agora quanto ao longo do tempo.
No Momento: O Que Realmente Ajuda
- Tente adiar, mesmo que por alguns minutos. Os impulsos de se autolesionar costumam ser intensos, mas passageiros; eles tendem a crescer, atingir um pico e passar, mesmo que não pareça assim no momento. Dizer a si mesmo "vou esperar 10 minutos e ver como me sinto" não é sobre força de vontade, é sobre dar espaço para o impulso atingir o pico e diminuir sem agir sobre ele. Se ainda estiver forte depois de 10 minutos, tudo bem, adie de novo.
- Dê ao seu corpo algo intenso, mas não prejudicial. Segurar cubos de gelo ou uma compressa fria, jogar água fria no rosto, estalar levemente um elástico no pulso, fazer exercício intenso como correr no lugar ou flexões, ou morder algo bem azedo ou apimentado, podem oferecer uma sensação física igualmente intensa e concreta, sem causar ferimentos.
- Ancore-se no presente. A ferramenta de Ancoragem e Respiração tem um exercício simples de 5-4-3-2-1 (nomear coisas que você pode ver, ouvir, tocar, cheirar e provar) que pode ajudar a tirar sua atenção da sobrecarga e trazê-la para o seu corpo e para o que está ao seu redor agora.
- Busque contato, mesmo que breve. Enviar uma mensagem ou ligar para alguém, um amigo, um familiar, ou uma linha de apoio de crise ou de pares, mesmo que só para dizer "estou passando por um momento difícil", pode interromper o isolamento que costuma tornar os impulsos mais fortes. Você não precisa explicar tudo para pedir companhia.
- Use um plano escrito, se tiver um. Se você já pensou nisso antes, seu Plano de Segurança pode te lembrar, com suas próprias palavras, o que ajudou antes e a quem você pode recorrer. Se ainda não fez um, este pode ser um bom momento para começar, mesmo que seja um plano curto.
O Que é Normal, e O Que é Sinal de Buscar Mais Apoio
Muitas pessoas que se autolesionam fazem isso ocasionalmente, às vezes apenas durante um período particularmente difícil, e conseguem reduzir ou parar com o tempo, especialmente com o apoio certo. Esse é um padrão comum e superável, não uma sentença permanente.
Vale a pena buscar mais apoio, de um médico ou terapeuta com experiência nessa área, se a autolesão está acontecendo com frequência ou ficando mais frequente, se os ferimentos estão se tornando mais graves ou exigem mais cuidados do que você consegue dar a si mesmo com segurança, se é a principal ou única forma de lidar com a angústia, ou se você percebe que está piorando mesmo quando não quer que isso aconteça. Nada disso significa que você falhou; significa que a angústia por trás disso precisa de mais ferramentas e apoio do que a autolesão sozinha pode oferecer com segurança, e esse tipo de ajuda existe de verdade e funciona de verdade para muitas pessoas.
Autolesão e pensamentos de suicídio são coisas diferentes, mas podem acontecer juntas. Se você também está tendo pensamentos de acabar com sua vida, ou não tem certeza se poderia agir sobre um impulso de se machucar seriamente, por favor, use as opções de apoio em crise na faixa acima agora mesmo, ou trabalhe com a ferramenta de Plano de Segurança. A autolesão por si só, sem intenção suicida, não significa automaticamente uma emergência, mas sempre merece ser levada a sério e cuidada.
Cuidando de um Ferimento, Sem Vergonha
Se você se machucou, limpar o ferimento e, se necessário, buscar cuidados médicos importa, independentemente de como aconteceu. Ferimentos não tratados podem infeccionar ou causar mais danos do que se pretendia. Clínicas de urgência, clínicas de atendimento sem hora marcada e prontos-socorros tratam ferimentos todos os dias sem precisar de uma explicação completa de como aconteceram, e você não deve a ninguém sua história inteira para cuidar do seu corpo. Ser gentil com seu corpo depois, limpar um corte, descansar, se aquecer, se hidratar, não é aprovar o que aconteceu; é simplesmente parte de cuidar de si mesmo de qualquer forma.
Apoiando Alguém que se Autolesiona
Se alguém que você se importa te contou que se autolesiona, ou você descobriu de outra forma, tente não entrar em pânico, dar sermões, ou fazer ultimatos; essas reações, mesmo bem-intencionadas, costumam levar as pessoas a esconder em vez de buscar ajuda. Manter a calma, manter a conexão, e perguntar como você pode apoiar (em vez de exigir que a pessoa pare imediatamente) tende a manter a porta aberta. A página Apoiando Alguém tem mais sobre como ajudar sem assumir o controle.
Onde Buscar Mais
- HelpGuide.org - Um guia prático e sem fins lucrativos para entender a autolesão, por que ela acontece, e formas mais saudáveis de lidar com ela.
- LifeSIGNS - Uma instituição britânica liderada por usuários, oferecendo informação sem julgamentos e orientação de redução de danos para pessoas que se autolesionam.
- S.A.F.E. Alternatives - Um programa clínico americano oferecendo informação, triagem e recursos de tratamento focados especificamente em autolesão.
Estes são pontos de partida gerais, não um diagnóstico ou tratamento. Se a autolesão for frequente, grave, ou estiver ligada a pensamentos de suicídio, por favor, converse com um médico ou profissional de saúde mental.